How to recognize the road: three more poems by Cecília Meireles

This entry is part 9 of 33 in the series Poetry from the Other Americas

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A small gesture would be enough,
made lightly and from a distance
for you to come with me
and for me to hold you forever…

Basta-me um pequeno gesto
feito de longe e de leve
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…

*

Farewell

For me, and for you, and for the others
wherever the others are,
I’m leaving the raging sea and the quiet sky:
I want solitude.

My road is without a sign and without a landscape.
So how do you recognise it? — they ask.
— By the absence of words, the absence of images.
Not a single enemy and not a single friend.

What do you need? — Everything. What do you want? — Nothing.
I travel alone with my heart.
I’m not wandering lost, merely un-met.
I carry my course in my hand.

Memory has flown from my head.
Flown my love, my imagination…
Maybe I’ll fade before the horizon.
Memory, love and all the rest, where are they?

Here I leave my body, between earth and sky.
(I kiss you, my body, all disillusioned!
Sad flag of a strange war…)

I want solitude.

Despedida

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? — me perguntarão.
— Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? — Tudo. Que desejas? — Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação…
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra…)

Quero solidão.


Film by Swoon (Marc Neys) in memory of his mother, using the above translation and reading. Read Marc’s process notes on his blog.

*

Serenade

Allow me to close my eyes,
I’m so far away and it’s so late!
I thought you were merely delayed,
and I began to wait for you, singing.
Allow me to change now:
adapt myself to being alone.
There’s a soft light in the silence, and the pain is of divine origin.
Allow me to turn my face towards a sky bigger than this world,
and let me learn to be as docile in dreams as the stars in their wandering.

Serenata

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio, e a dor é de origem divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo.

*

Read the earlier post: “Contrary Moon: three poems by Cecília Meireles

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